Santa Rita de Caldas, carinhosamente apelidada de "Capela"

Com 1.162 metros de altitude, localizada entre picos da Serra do Cervo, no sul do estado de Minas Gerais e conhecida como a Capital Mineira da Fé, o município de Santa Rita de Caldas, a nossa Capela, possui algumas das mais relevantes manifestações de fé do estado e tem ao longo de toda a sua extensão territorial inúmeras belezas naturais que encantam amantes da natureza e praticantes de esportes ecológicos.

Na história de Santa Rita de Caldas, não há nenhum registro de descoberta de ouro, porém, foi através da estrada fixada na Carta Geográfica do Itinerário feito pelo Governador Luiz Diogo da Silva Lobo – 1764, ligando as duas cidades do ouro, Cabo Verde e Ouro Fino, que a atual região do município começou a ser desbravada.

No século XVIII o município de Santa Rita de Caldas não tinha minas de ouro para exploração, uma vez que predominavam em seu território as pastagens naturais, porém, com o esgotamento das minas auríferas de outras cidades do sul do estado, o povo da Capitania, que até então se preocupava com a comercialização do ouro, passou a interessar-se pelos campos de criar gado. Foi, portanto, na transição de sociedade de garimpeiros para a sociedade de pecuarista que se instalaram na região os primeiros colonizadores.

O nome Santa Rita de Caldas, antecedeu outros nomes. O distrito de Santa Rita de Cássia do Rio Claro deve sua criação com a Lei provincial 1581 de 22 de julho de 1868. Em 11 de outubro de 1909 de acordo com a Lei Estadual no 513 foi firmado o nome Santa Rita de Caldas. Em 10 de dezembro de 1943, a nova divisão administrativa judiciária do Estado publicada no jornal Minas Gerais deferia ao então criado município o nome de Mogitinga que durou oficialmente até o dia 31 de dezembro de 1943, quando o decreto lei 1058, criou definitivamente o município de Santa Rita de Caldas.

A criação do município foi fruto de muitos esforços que não foram medidos pela pequena população. Liderada pela Associação Amigos de Santa Rita, com a presença marcante do Sr. João Batista Filho (mais tarde, o primeiro Prefeito de Santa Rita) e do padre Alderigi Maria Torriani e o jornal circulante da época o “Avante”, que também foi de fundamental importância para as divulgações dos ideais emancipacionistas.

O Santuário Arquidiocesano de Santa Rita de Caldas tem uma das preciosidades da fé mineira, um Fac-Símile do verdadeiro corpo de Santa Rita de Cássia que se encontra na cidade de Cássia, na Itália, e uma relíquia ex-corpore de Santa Rita. Milhares de fiéis de todo Brasil passam por Santa Rita de Caldas anualmente para pedir e agradecer graças alcançadas pela Santa por intercessão de Mons. Alderigi e Santa Rita.

História do Fac-Símile de Santa Rita

Adquirir uma imagem para uma igreja é uma operação muito simples. Há tantas casas comerciais que se dedicam a este ramo. Um pedido por uma simples carta e logo chega o caixão, com a imagem pedida, muito bem condicionada. Uma festa no dia da benção, com os “Padrinhos”. A imagem é levada em triunfo pelas ruas da cidade, em uma linda procissão e depois colocada no altar, onde será venerada pelos fiéis.

Mas, com o nosso Fac-Símile não foi assim. É uma história comprida, muito comprida, na qual tomam parte como figuras principais: Um Engenheiro Eletrotécnico – Um Professor de Universidade – Uma Irmã – Outras Irmãs – Uma Abadessa – Um Cônego – Um Padre Provincial – Um Bispo e o Papa. Sim, Sua Santidade o Papa Pio XII e, depois, muitas Santas Missas, muitas orações, muitas penitências, muitos telegramas e muitas cartas.

O Revmo. Mons. Geraldo Magela do Amaral Teixeira, Pároco da Basílica de Nossa Senhora da Saúde de Poços de Caldas, ia a Roma no Ano Santo, com uma peregrinação. Bom e amigo do Pároco de Santa Rita de Caldas, ofereceu seus préstimos. O Pároco sabendo que ele era muito devoto de Santa Rita, pediu-lhe que fosse a Cássia, onde existe a Basílica Santuário de Santa Rita, e de lá trouxesse uma relíquia de Santa, para a nossa Igreja Matriz.

Mons. Geraldo voltou da Itália com a relíquia, que ficou em Poços de Caldas, até o dia 16 de Maio de 1953. O motivo da demora foi à necessidade de uma reforma na igreja. Ia começar uma nova era para a nossa Matriz, por isso, era necessário lhe dar um novo aspecto. A reforma da Igreja Matriz foi feita graças aos esforços dos festeiros do dia 22 de Maio de 1953: Antônio Miguel Salomão e Maria Benedita Vieira Salomão.

O dia 16 de maio de 1953 amanheceu festivo. Sob a chefia do Frei Conrado, Capuchinho, partiram para Poços as Irmandades e muitos fiéis. Autos, ônibus, caminhões, 16 carros repletos de santa-ritenses, que iam receber a Santa Relíquia. Mons. Geraldo deu a benção do Santíssimo na Basílica de N. Senhora da Saúde, de Poços de Caldas. Em seguida, foi organizado um cortejo, indo à frente o auto do Mons. Geraldo, que com vestes prelatícias1, trazia solenemente a relíquia em um rico relicário adquirido em Roma. Depois de percorrer diversas ruas de Poços, tomou o rumo de Caldas. O povo, avisado e dirigido pelo Revmo. Pároco, Padre Jair Ferreira de Faria, fez soleníssima recepção. A recepção em Caldas foi tão solene que, uma pessoa da comitiva de Santa Rita, chamou o Pároco pelo telefone:

– Sr. Padre, o povo está se reunindo? Está tudo pronto? – Sim, tudo pronto. Por quê?

– Aqui a recepção foi um colosso! Avise o povo. Estou com medo que ai, não seja tão bonita como foi aqui.

Depois de ficar exposta por algum tempo em Caldas, tempo suficiente para operar dois milagres, organizou-se novo cortejo em direção a Santa Rita de Caldas, composto de 47 carros.

O que foi o encontro não se descreve. O Sr. João Lorena falou da alegria do povo e agradeceu ao Mons. Geraldo Magela do Amaral Teixeira a grande dádiva a nossa Matriz. Depois, organizou-se um grandioso préstito com duas Bandas de Música, a fanfarra do Ginásio São Vicente de Paulo, foguetes, vivas, gritos, lágrimas de comoção e, num ambiente de entusiasmo, alegria, a massa humana se deslocou para frente da igreja, onde, na porta principal, foi dada a benção do S. S. Sacramento.

Com a chegada da relíquia começou nova era para a Igreja Matriz. Houve fatos impressionantes. Uma senhora, que foi levada nos braços do marido, como criança, depois da benção com a relíquia, saiu andando, desceu as escadas. Mas não foi só este fato extraordinário. Era raro o dia que não vinham romeiros. As Missas do dia 22 de cada mês, que começaram como Missas rezadas, depois Missas de Guardião2, já eram missas solenes. Nestes dias a concorrência dos romeiros era extraordinária.

O Servo de Deus

“Um homem de Deus, perseverante na oração.
Um homem da Igreja totalmente dedicado ao progresso espiritual do seu povo.
Um homem que se fez pobre para doar-se inteiramente aos pobres.
Um presente de Deus que passou por este mundo fazendo o bem.”
É assim que muitos fiéis se recordam do Servo de Deus, Padre Alderigi Maria Torriani.

Filho de imigrantes italianos, Alderigi nasceu em Jacutinga – MG, em 1895. Desde pequeno, sentiu-se chamado por Deus para a vida sacerdotal. Cultivou a semente da vocação através da oração, da vida comunitária em sua paróquia e da constante participação nos sacramentos. Depois dos estudos no Seminário de Pouso Alegre, foi ordenado sacerdote em 1920. Já no início de seu ministério sacerdotal, exerceu importantes funções. Em Pouso Alegre – MG, foi Vigário Cooperador na Catedral e Diretor do Ginásio Diocesano, atual Colégio São José. Logo depois, foi nomeado Vigário de Brasópolis – MG, onde permaneceu por alguns meses. Por um curto período, esteve também à frente da paróquia de Camanducaia – MG, onde lançou sementes de reconciliação e de paz.

Em 1927, foi transferido para Santa Rita de Caldas – MG. Esta pacata cidade jamais imaginava que ao receber aquele jovem sacerdote estaria acolhendo um astro que irradiaria, de maneira clara e evidente, a bondade do grande Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Padre Alderigi, com sabedoria e amor, dedicou toda sua vida ao povo desta paróquia e aos peregrinos que por ali passavam. A pequena igreja matriz tornou-se um santuário onde milhares de peregrinos iam para apresentar a Deus, por intercessão de Santa Rita, seus pedidos e necessidades e para louvar e agradecer as graças recebidas.

Padre Alderigi Torriani morreu em 1977 com fama de Santidade e desde então as pessoas reconhecem que sua vida foi um testemunho de fé, amor e esperança. A Arquidiocese, percebendo o apelo popular, abriu em 1999, com a autorização da Congregação para a Causa dos Santos, seu Processo de Canonização. O processo se encontra ainda na primeira fase, que é chamada de Fase Diocesana, onde uma comissão história tem buscado, através de pesquisas, conhecer a vida do Padre Alderigi e outra comissão tem colhido depoimentos de pessoas que o conheceram, para que se verifique e comprove através de testemunhos sua fama de santidade.

Horário de Missas

Santuário:

Todo dia 3: missa em ação de graças ao Monsenhor Alderigi às 19h

Todo dia 22: missa em louvor à Santa Rita de Cássia às 19h

Quintas-feiras: missa às 19h

Sextas-Feiras: missa às 15h

Sábados: missa às 15h e 19h

Domingos: missa às 8h, 10h e 19h

Capela São Benedito:

Domingos: missa às 16h

Batizados:

Todo primeiro domingo de cada mês, no Santuário

Terço dos Homens:

Toda segunda-feira, às 19h, na Capela São Benedito

Terço das Mulheres:

Todo dia 13 de cada mês, na Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, às 18h